O cavalo é tão nobre, que une peão e patrão, sem fazer distinção

Marcelo Pardini

A realização individual passa pela capacidade de dominar a própria mente, fazendo com que os pensamentos positivos gerem ações em prol de objetivos claros e definidos

Marcelo Pardini


Veterinária

Os cuidados no frio

Saiba quais são as melhores estratégias para manter o seu cavalo seguro e confortável durante o Inverno

05/05/2026 - 11:39

Com a chegada do Inverno, quedas acentuadas de temperatura, intensificação de ventos frios e redução da umidade do ar impõem desafios para o manejo de equinos. Embora sejam animais naturalmente resistentes e dotados de mecanismos eficientes de termorregulação, eles também sentem frio. "Enquanto as temperaturas de conforto térmico em humanos variam entre 20°C e 26°C, a dos cavalos vai de 5°C a 25°C. E abaixo de 5°C, especialmente com vento e umidade, o risco de hipotermia e outras complicações aumenta", diz Gabriela Oliveira, analista de Comunicação Técnica da Vetnil. Os sinais de que um cavalo está sentindo frio incluem tremores, apatia, recusa em se mover, pelagem eriçada, extremidades frias e até redução do apetite. Em resposta ao frio, os equinos desenvolvem a pelagem mais longa e densa e têm comportamentos específicos, como agrupar-se com outros animais e buscar abrigo. "Contudo, esses mecanismos podem ser insuficientes em situações de frio intenso, vento ou chuva prolongada, exigindo intervenção humana", diz a médica veterinária.

Além do desconforto térmico, o Inverno predispõe os cavalos à várias doenças. O confinamento prolongado em baias, a redução da ventilação e o esforço metabólico para manter a temperatura corporal contribuem para a queda da imunidade e favorecem a disseminação de agentes infecciosos. “As baixas temperaturas podem deprimir o sistema imunológico, tornando os animais mais vulneráveis a infecções”, alerta a especialista. Dentre as principais afecções que acometem os equinos no Inverno, a Influenza Equina, conhecida como a gripe do cavalo, é uma das infecções respiratórias mais comuns nessa época do ano. “Os principais sinais clínicos incluem secreção nasal, tosse seca, febre e letargia. A vacinação anual é a principal medida preventiva, sendo essencial também imunizar éguas prenhes para proteger os potros por meio do colostro". Já a pneumonia é uma inflamação pulmonar, normalmente causada por bactérias, vírus ou fungos, muitas vezes secundária a infecções virais não tratadas, cujos sinais clínicos incluem tosse, secreção nasal (geralmente purulenta), febre e apatia. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar complicações e sequelas respiratórias.

Outra doença preocupante é o garrotilho (ou Adenite Equina). É uma enfermidade bacteriana, causada por Streptococcus equi, altamente contagiosa entre cavalos e, embora possa ocorrer o ano todo, o frio e a umidade favorecem sua propagação. Febre, apatia, aumento dos linfonodos regionais (cabeça e pescoço), dificuldade para deglutir e secreção nasal purulenta estão entre os principais sinais observados. Apesar de possuir baixa letalidade, a doença provoca grandes prejuízos econômicos, principalmente relacionados à queda do desempenho de animais atletas e custos associados ao tratamento medicamentoso. A vacinação regular é indispensável para prevenir surtos.

Doenças respiratórias crônicas, como a Obstrução Recorrente das Vias Aéreas (ORVA) e a Doença Inflamatória das Vias Aéreas (DIVA) tendem a se agravar no Inverno, especialmente devido ao maior tempo de estabulação. A ORVA é uma enfermidade crônica e progressiva, mais frequente em cavalos adultos e idosos, caracterizada por hipersensibilidade das vias aéreas inferiores à inalação de partículas irritantes, como poeira, mofo e endotoxinas presentes no feno e na cama da baia. Essa condição leva à inflamação neutrofílica, aumento da produção de muco e broncoconstrição, resultando em tosse crônica, dispneia, intolerância ao exercício e, nos casos mais graves, alterações no padrão respiratório em repouso (como a chamada “linha de esforço abdominal”). Já a DIVA acomete preferencialmente cavalos mais jovens, sobretudo animais de alta performance, sendo mais facilmente percebida durante os exercícios físicos. Caracteriza-se por inflamação das vias aéreas distais com predomínio de infiltrado neutrofílico, manifestando-se por tosse ocasional, secreção nasal mucopurulenta e queda de rendimento durante o exercício. “O manejo ambiental é essencial em ambas as condições, incluindo a redução da exposição a alérgenos, melhoria da ventilação, uso de cama de melhor qualidade e, em alguns casos, a adaptação da dieta para minimizar fontes de partículas irritantes. Em casos mais severos, pode ser necessária intervenção medicamentosa com broncodilatadores, mucolíticos e corticosteroides para controlar a inflamação e restaurar a função respiratória”.

Essa época do ano ainda pode ter impacto no sistema musculoesquelético dos equinos. As articulações, especialmente em animais idosos, podem sofrer mais com o frio. Rigidez articular e claudicação são sinais que merecem atenção. Pode ser necessário o uso de anti-inflamatórios e analgésicos para controle da dor. Além disso, produtos com ação condroprotetora podem auxiliar na manutenção da saúde articular durante o Inverno. Também é importante que sejam realizados alongamentos e exercícios de aquecimento previamente à prática de atividades físicas. A hidratação merece atenção especial, já que a ingestão de água tende a diminuir nos dias frios, aumentando o risco de cólicas por compactação. Para estimular o consumo hídrico, recomenda-se oferecer água morna e, quando necessário, utilizar eletrolíticos. A imunidade também pode ser favorecida com ajustes na dieta, incluindo suplementação com vitaminas, como a vitamina C, e elementos como a espirulina, que auxiliam na resposta imunológica e na resistência a agentes infecciosos. O manejo alimentar deve contemplar o aumento da oferta de fibras de qualidade, como o feno, cuja fermentação no intestino grosso gera calor e ajuda na termorregulação. A adaptação da quantidade de concentrados e a suplementação da dieta, sempre sob orientação veterinária, podem ser necessárias para suprir o maior gasto energético dos animais no frio. 

Quanto ao ambiente, garantir abrigos secos, ventilados e protegidos de vento e chuva é essencial. O uso de mantas térmicas, principalmente em cavalos magros, debilitados, idosos ou tosquiados, pode auxiliar a manter os cavalos aquecidos. Essas práticas, associadas ao acompanhamento profissional, contribuem para um manejo mais eficiente e para o bem-estar dos equinos. Investir nos cuidados com os equinos durante o Inverno é fundamental para garantir saúde e desempenho, especialmente em animais de alta performance. “A atenção e o cuidado com os cavalos durante o período mais frio do ano são essenciais para evitar doenças, assegurar o conforto térmico e manter o desempenho, tanto em trabalho quanto em competições. Monitorar sinais de desconforto, adaptar o manejo e contar com o apoio técnico de médicos veterinários são as melhores estratégias para atravessar a estação das baixas temperaturas com segurança e preservar o bem-estar dos animais”, conclui.