Por mais que tenhamos que nos moldar aos costumes do tempo em que vivemos, o princípio do livre-arbítrio nos permite escolher os nossos caminhos

Marcelo Pardini

É certo que estabilidade não existe, por isso, a melhoria contínua é de suma importância, uma vez que os acertos do passado não assegurarão o sucesso do futuro

Marcelo Pardini


Mercado

A força do Leilão Rural

Trata-se de uma ferramenta de compra e venda eficiente, objetiva e democrática, para a comercialização da produção agropecuária

22/04/2026 - 12:37

Como toda atividade sócio-econômica, o Leilão Rural também passa por transformações. Muito se tem discutido sobre o protagonismo do pregão frente às novas ferramentas de compra e venda que usam a IA (Inteligência Artificial), especialmente via tecnologia "blockchain", cujas análises do perfil do cliente, através de dados extraídos de seus hábitos de consumo, estão cada vez mais sofisticadas e precisas, sendo fundamentais para as ofertas futuras.

No best-seller Ponto de Inflexão (Büzz Editora /2019), o empresário bilionário Flávio Augusto da Silva ressalta que nos Negócios nada é perene. “A Kodak era líder global no mercado de Fotografia e a Blockbuster era a maior locadora de filmes do mundo. Logo, estabilidade não existe”. Concordo com essa linha de raciocínio, pois, mesmo com os avanços tecnológicos e as novidades mercadológicas, duas características sempre serão valorizadas no profissional: credibilidade e criatividade. É assim que pauto o meu trabalho, visando a valorizar o Leilão Rural, uma vez que tal modalidade de compra e venda de animais, bens e implementos agrícolas é a melhor ferramenta de comercialização da produção agropecuária em escala. Eu acredito na força do campo!

A “ferramenta leilão” é a maneira mais eficiente, prática, objetiva e democrática de se comprar e vender, por isso, a minha estratégia visa a melhorar a eficiência, a eficácia e a efetividade, buscando os melhores resultados, unindo ambas as pontas, compradores e vendedores, de forma sinérgica. Reitero que os valores ético-morais são os pilares da profissão de leiloeiro rural: o profissional que goza de credibilidade tem liberdade para desempenhar com criatividade o seu papel. Para o sucesso no leilão é preciso cuidar de todos os elos, por isso, acredito que as novas tecnologias, como os algoritmos, fundamentalmente, devam ser usadas para otimizar os custos dos remates.

Não caia em armadilha
Segundo a Lei 4.021/61, o Leilão Rural tem como obrigatoriedade a presença do leiloeiro, este devidamente credenciado pela Federação da Agricultura do Estado onde reside. Hoje em dia, alguns sites, grupos de Whatsapp e novos aplicativos promovem remates de maneira ilegal, pois os fazem sem a figura do profissional. O leiloeiro, filiado à entidade representativa da classe, é o único que regula e confere legitimidade ao leilão, agregando conhecimento e capacidade técnica para transmitir informações precisas e confiáveis, além de validar os usuais pré-lances e legitimar as vendas, haja vista que a Lei lhe confere a "Fé Pública".

Um pouco de história (e estórias)
Em matéria também publicada em Agro MP*, o decano dos leiloeiros rurais em atividade no Brasil, Djalma Barbosa de Lima, discorreu sobre as transformações do setor: “O leilão moderno passou por três fases: a primeira, no início, quando Sérgio Piza, Paulo Pimentel e João Sampaio, fundadores da Programa Leilões, em 1975, contrataram os leiloeiros gaúchos Trajano Silva e Pinheiro Machado. Rapidamente também nos trouxeram para o ofício - eu e o Odemar Costa, que oriundos do Rádio, de forma natural, acabamos mudando a cadência da narrativa, caindo no agrado dos novos usuários paulistas. Em seguida, vieram os leilões-shows, ou seja, com as vendas nos principais hotéis e nas grandes casas de espetáculos dos centros urbanos. Nesta época, já nos idos dos anos 90, chegamos a realizar leilões milionários, como os de Orpheu José da Costa, Nagib Audi e Afonso Archilla Galan, dentre tantos outros notáveis, com vultosas movimentações financeiras balizadas pelo dólar. Posteriormente, vieram os pregões pela TV. Com o advento dos canais de televisão especializados no Agronegócio, a solução em comodidade imperou, eliminando os custos estruturais, com buffet, montagem, deslocamento dos animais… Os primeiros, chamados virtuais, apresentaram lotes de baixa qualidade, algo que rapidamente foi corrigido, passando a vender aquilo que os criadores tinham de melhor, tendo como diferencial a maior visibilidade, o encurtamento das distâncias, permitindo a um vendedor do Paraná comercializar, em fração de minutos, o seu produto a um investidor lá do Acre. Tudo isso antes da internet”. *Vide o texto na íntegra: https://agromp.com.br/post/e-dou-lhe-tres.


Foto:

Marcelo Pardini contato@agromp.com.br

Marcelo Pardini é leiloeiro rural, narrador, pós-graduado (Mkt), poeta, cavaleiro. Titular da marca Agro MP - A voz do Agronegócio

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