Sigo o meu propósito firmemente, pois o que me enche de alegria é ver brotar o sorriso numa boca amarga, a esperança num coração descrente, a lágrima de gratidão numa mente vazia

Marcelo Pardini

A vivência prática me permite concluir que nada supera a ação precisa e vencedora, a atitude positiva na conclusão das metas. Fazer é mais produtivo do que pensar

Marcelo Pardini


Veterinária

A fadiga muscular no cavalo-atleta

Rotina de treinos e competições exige suplementação adequada para a manutenção da performance do equino

07/09/2026 - 09:28

Os cavalos-atletas são treinados para atuar em máximo nível físico, já que a exigência nas competições é alta. Por isso, é imprescindível a atenção redobrada à saúde muscular, ao condicionamento e ao bem-estar para a performance dos animais. Além disso, para que mantenham o desempenho esperado, é fundamental entender os processos fisiológicos que sustentam o esforço muscular e adotar estratégias de prevenção da fadiga, que é um dos principais fatores que comprometem a vida atlética do equino.

“Durante o exercício, o esforço muscular demanda grande quantidade de energia, obtida principalmente a partir da glicose presente no sangue e armazenada nos músculos na forma de glicogênio”, explica Kauê Ribeiro, coordenador de Comunicação Técnica da Vetnil, empresa líder nacional em medicamentos e suplementos para equinos. A glicose é metabolizada e convertida até um intermediário chamado piruvato (ou ácido pirúvico), que pode entrar na mitocôndria sob a forma de acetil-CoA e gerar mais energia pelo ciclo de Krebs e fosforilação oxidativa, que é conhecida como a via aeróbica de obtenção de energia, sendo mais rentável em termos de produção de ATP (adenosina trifosfato - composto orgânico conhecido como a "moeda energética" do corpo).

Quando o oxigênio disponível é suficiente e há enzimas e cofatores adequados, o piruvato segue pela via aeróbica, sendo metabolizado de forma adequada, resultando em elevada produção de energia. Isso permite que os músculos trabalhem por mais tempo, mantendo a performance e retardando a ocorrência da fadiga. Porém, em exercícios de alta intensidade, quando o oxigênio fica mais difícil de ser utilizado e não há intermediários suficientes para encaminhar o piruvato para a mitocôndria, esse segue para a via anaeróbica e é convertido em ácido lático, cujo acúmulo, associado à redução da disponibilidade energética e à acidose celular, leva à fadiga muscular - momento em que o músculo já não executa sua função adequadamente.

A prevenção da fadiga exige uma abordagem completa, que combine treinamento adequado (respeitando os limites fisiológicos do cavalo e intercalando treinos com períodos de descanso) e nutrição equilibrada, que contemple uma suplementação estratégica, para garantir o aporte energético necessário, além de hidratação com reposição de eletrólitos, especialmente em situações de esforço prolongado ou calor intenso.

A suplementação é uma ferramenta nutricional estratégica, que contribui para melhorar a performance dos animais. Nesse cenário, ganha espaço a dimetilglicina (DMG), um subproduto do metabolismo da glicina e precursora da creatina. A DMG reduz o acúmulo de ácido lático no músculo, melhora a respiração celular e, assim, facilita a recuperação do tecido muscular e permite ao cavalo-atleta suportar o esforço físico intenso e prolongado.

“Outros aliados são o citrato de sódio, que atua como tamponante, neutralizando os ácidos gerados durante exercícios intensos; o ácido cítrico, que participa diretamente do ciclo de Krebs, contribuindo para a produção de energia, e a arginina, precursora do óxido nítrico, permitindo uma melhor perfusão sanguínea para os músculos. Em conjunto, esses elementos ajudam a minimizar os efeitos da acidose, aceleram a recuperação e prolongam a capacidade atlética dos cavalos”, ressalta o médico veterinário.